Valdenir Romero, cacique da Aldeia Indígena Jaguapiré, localizada no município de Tacuru (MS), a 422 km de Campo Grande, está sendo investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul por torturar o próprio irmão, Edvaldo Romero, membro da comunidade.
Segundo a polícia, Valdenir usou um martelo para bater nos pés, mãos e braços de Edvaldo, que possui doenças físicas e transtornos mentais. Toda a ação foi filmada e compartilhada em um grupo de lideranças indígenas na sexta-feira (9). O martelo usado pelo cacique foi apreendido.
O coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Tonico Benites, explicou que no domingo (11) a comunidade se manifestou contra o cacique e ele foi afastado do cargo por 90 dias, até que a investigação seja concluída.
O cacique justificou o ato como forma de repressão ao irmão, que supostamente cometeu pequenos delitos na aldeia, como furtos e venda de entorpecentes. Também alegou que a polícia demoraria muito para prendê-lo, então resolveu agir por conta própria.
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Após a sessão de tortura, a vítima ficou desaparecida por cerca de 24 horas, mas foi localizada na casa de sua outra irmã, no domingo.
De acordo com Tonico, a mãe dos dois morreu há cerca de dois meses. Era ela que cuidava de Edvaldo, desde então, ele passou a vagar pela comunidade, como andarilho.
“Ele estava escondido na casa da irmã, porque foi ameaçado de novo. A irmã socorreu ele e conseguimos levar ele no hospital. Ele estava com o dedo do pé todo machucado, está fora de risco, mas as pernas, braços e dedos todos fraturados. Vamos ter que acompanhar isso de perto, até que se resolva essa violência que está acontecendo pela própria liderança”, disse o coordenador regional da Funai.
Tonico afirmou ainda que Valdenir se mostrou arrependido durante a reunião na aldeia e pediu desculpas. Agora, a comunidade quer passar por uma nova eleição, para escolher outra liderança, e pede para que a segurança seja reforçada neste período. “Porque pode aumentar a desordem”, apontou.
Tortura é considerado crime hediondo pela lei nº 9.455, de 7 de abril de 1997, com pena prevista de dois a oito anos. Legislação que se estende em comunidades, nos mesmos termos em que se aplicam aos demais brasileiros, resguardados os usos, costumes e tradições indígenas
Fonte: G1 MS


