A servidora pública Simone Aparecida de Moraes Pereira, lotada na Semadesc (Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), foi presa na manhã desta quarta-feira (11) durante a Operação “Pombo Sem Asas”, que investiga um esquema de envio de drogas e celulares para dentro do Presídio de Segurança Máxima de Campo Grande. A ação é conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e cumpre mandados na Capital e em outros estados.
Equipes da Polícia Militar, em apoio ao Ministério Público Estadual, cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Simone, localizada no Bairro Aero Rancho. No local, os agentes encontraram em uma gaveta do guarda-roupa do quarto uma porção de cocaína. Na sala da residência também foram localizadas três pequenas balanças de precisão.
Questionada sobre a procedência da droga, Simone relatou que recebeu o entorpecente em data anterior por um motorista de aplicativo, a pedido de um homem conhecido como “Fazenda”. Segundo ela, posteriormente levaria a droga até as proximidades do Clube Bom Demais, na região do Bairro Santa Emília, onde faria a entrega a uma pessoa que conheceria apenas no local. Pelo serviço, receberia R$ 70.
Após o término das buscas, Simone recebeu voz de prisão pelo crime de tráfico de drogas. O entorpecente foi encaminhada à Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico). A servidora foi levada para a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Cepol.
Outro alvo da operação é Kethelly Aparecida Oliveira Barros. Na casa dela, na Vila Nasser, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão. Equipes do Gaeco, com apoio da Força Tática, realizaram buscas na residência onde ela estava com o marido. No quarto do casal, os policiais encontraram um recipiente de vidro com três porções de maconha.
No mesmo local também foram apreendidos R$ 168 em cédulas, R$ 7,95 em moedas, uma pequena balança de precisão e diversas embalagens transparentes do tipo ziplock, usadas para fracionamento de drogas. Diante do material encontrado, o marido dela recebeu voz de prisão e foi encaminhado para a Depac Cepol.
Esquema
O esquema montado para levar drogas e celulares para dentro do presídio em Campo Grande levou à realização da Operação “Pombo Sem Asas” na manhã desta quarta-feira. A investigação mostrou que integrantes de uma facção criminosa nacional organizavam, de dentro do Presídio de Segurança Máxima, no Jardim Noroeste, a entrada de materiais proibidos por meio de arremessos feitos do lado de fora dos muros, com ajuda de pessoas em liberdade e a participação de um servidor público que recebia propina.
No local, cerca de 70 pacotes foram apreendidos com produtos ilícitos, além de balanças, celulares e acessórios de comunicação. Segundo as apurações, o grupo planejava o envio de pacotes com entorpecentes e aparelhos celulares para dentro do complexo penitenciário da Capital.
Esses volumes, chamados pelos próprios criminosos de “pombos”, eram jogados por cima dos muros ou enviados com uso de drones. Para que isso acontecesse, um servidor que fazia a vigilância externa nas torres do presídio recebia dinheiro para permitir a entrada dos materiais.
Durante as investigações também foi citado o policial militar Aguinaldo Medina, que foi condenado por facilitar a entrada de drogas na Máxima. Ele acabou excluído das fileiras da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul em 2023, conforme decisão publicada no Diário Oficial do Estado.
Imagens captadas durante a investigação mostram arremessos e um dos responsáveis pelo esquema resgatando o material. As apurações apontaram ainda que os detentos organizavam toda a logística do esquema de dentro da prisão, definindo horários e locais para os arremessos.
Do lado de fora, integrantes da organização executavam a entrega dos pacotes e mantinham contato com os presos para garantir que os itens chegassem até eles. Além de abastecer os detentos, o grupo também movimentava dinheiro do tráfico usando contas bancárias próprias e de outras pessoas. Parte desses valores era usada para pagar propina e manter o funcionamento da facção dentro do sistema prisional. O levantamento também indica que a rede criminosa organizava o envio de drogas para outros estados.
Operação
A Operação “Pombo Sem Asas” foi realizada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por meio do Gaeco. Ao todo, a Justiça autorizou 35 prisões preventivas e 24 mandados de busca, cumpridos em Campo Grande e também nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A investigação contou com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário). As ações também tiveram participação de equipes da Polícia Militar, como o Batalhão de Choque, o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e forças táticas do 1º Batalhão e da 5ª Companhia Independente.
A expressão “pombo sem asas” simboliza, segundo os investigadores, a tentativa de interromper o fluxo de celulares e drogas que chegam às mãos de detentos.
Matéria: Campo Grande News


