Victor Hugo Centurión Miranda, 39 anos, ex-goleiro de clubes da elite do futebol paraguaio, se entregou nesta sexta-feira (20) à Polícia Nacional do Paraguai após ser declarado foragido. Ele estava sendo procurado por suspeita de ligação com narcotraficantes que atuam na linha internacional com Mato Grosso do Sul.
Victor está sob custódia na Unidade do Ministério Público contra o Crime Organizado e teve a prisão preventiva decretada no âmbito da Operação Nexus 2, deflagrada na quarta-feira (18). Ele foi indiciado por tráfico internacional de drogas, associação criminosa e posse de entorpecentes.
A Operação Nexus 2 foi conduzida pela Polícia Nacional e por promotores da área de narcotráfico, com mandados de busca cumpridos em Itacurubí de la Cordillera, Yataity del Norte, San José de los Arroyos, Mariano Roque Alonso e Assunção, além de revistas nas penitenciárias de Emboscada e Cambyretá. A ação desarticulou uma organização ligada ao traficante internacional Sebastián Marset e que, segundo a investigação, utilizava estruturas do futebol profissional para lavar dinheiro.
O juiz de Crime Organizado Osmar Legal determinou a prisão preventiva de parte dos investigados. Ao todo, oito pessoas foram indiciadas.
Entre os presos estão Alexis Vidal González Zárate, 42, o “Pelado”, apontado como líder do grupo, e Luis Alberto Paiva Gutiérrez, 40, o “Mariachi”, detido desde 2015 no presídio de Cambyretá, onde cumpre pena após ser flagrado com 115 quilos de cocaína. Ele é apontado como elo com fornecedores da Bolívia e da Colômbia. Durante a operação, agentes apreenderam um celular na cela de Alexis Vidal, na Penitenciária de Segurança Máxima de Emboscada.
Também foram presos Álvaro Enrique Cáceres Cabrera, 28, o “Alvarito”; Cindy Ruth Peralta Alderete, 31, a “Cin”; e o ex-jogador de futsal Luis Miguel Molina Brítez, 39, o “Chon”.
Seguem foragidos Dionizio Manuel Cáceres Cabrera, 37, o “Manu”, empresário de jogadores, e o ex-policial Julián Franco, conhecido como “Jaguapi”.
Investigação
De acordo com a investigação, a organização usava o prestígio de Centurión no futebol para facilitar negociações com traficantes. Áudios interceptados revelam que ele participou de uma negociação para compra de cocaína em 5 de julho de 2022, em Capitán Bado, com um fornecedor identificado como Jorge, o “3P”. A conversa foi articulada por integrantes do grupo mesmo com o líder Alexis Vidal já preso à época.
Segundo o Ministério Público, Victor levava camisetas da seleção paraguaia como presente aos traficantes e era considerado respeitado no meio por ter sido finalista da Copa Libertadores pelo Club Olimpia e convocado para a seleção em 2015 pelo técnico Ramón Díaz. A investigação aponta que sua trajetória no futebol foi usada para gerar confiança nas negociações ilícitas.
Matéria: Campo Grande News


