Uma proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, gerando intensos debates sobre seus impactos econômicos. Segundo Antônio Carlos Vilela, vice-presidente da Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), a mudança pode resultar em um custo estimado de R$ 180 bilhões anuais para a economia brasileira.
Em entrevista à CNN Brasil, Vilela contextualizou que, embora a redução da jornada de trabalho seja uma tendência natural em países desenvolvidos, é questionável se o Brasil está preparado para implementar essa mudança no momento atual. “Em todo o país desenvolvido, bem-sucedido, é natural que se reduza a jornada de trabalho com o decorrer dos anos. O que nós, na Federação da Indústria, em todo o sistema da indústria, estamos questionando é se o Brasil chegou neste momento”, afirmou.
O representante da Firjan apontou diversos fatores que tornam o cenário brasileiro desfavorável para essa discussão: o ano eleitoral que favorece propostas populistas, a crise fiscal iminente, a baixa produtividade da indústria brasileira em comparação com outros países, os juros elevados e a escassez de mão de obra qualificada. “Como nós podemos distribuir vantagens ou reduzir carga de trabalho em um país que é considerado de baixa produtividade?”, questionou.
Impacto econômico e repasse de custos
Um dos pontos mais preocupantes destacados por Vilela é que o custo estimado de R$ 180 bilhões anuais será inevitavelmente repassado à sociedade. Ele exemplificou como isso afetaria diferentes setores: “Um hospital público, que é administrado por uma empresa privada, quando tiver que contratar mais funcionários para cobrir as 24 horas, o custo do serviço para o estado, para o município, vai ser aumentado. Planos de saúde também terão que contratar mais funcionários, o que impactará nos preços”.
Além do aumento de preços nos setores público e privado, o vice-presidente da Firjan alertou para outros possíveis efeitos negativos, como o fechamento de empresas que não conseguirem repassar os custos adicionais e até mesmo a redução de empregos em alguns casos. “Quem não conseguir repassar o preço simplesmente descontinua o seu negócio”, explicou.
Alternativas e propostas
Vilela defende que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho deve ser conduzida de forma mais ampla e responsável, não sendo apressada por interesses eleitorais. “Queremos reduzir a jornada dos trabalhadores? Vamos reduzir. Na escala de 6 para 1, vamos reduzir. Mas vamos discutir com a sociedade como fazer isso e por setor”, propôs.
Segundo ele, é necessário avaliar as particularidades de cada setor econômico: “Podemos reduzir nas plataformas de petróleo, no comércio, nas padarias? Vamos discutir e fazer um grande acordo com o prazo para isso ir entrando com o equilíbrio e seriedade que a sociedade pede”.
A proposta que visa acabar com a escala 6×1 está na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, com o governo solicitando urgência na sua discussão. Alternativas como a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas ou uma nova desoneração da folha para compensar eventuais mudanças também estão sendo consideradas, mas, segundo Vilela, qualquer decisão precipitada pode trazer consequências econômicas significativas para o país.
Fonte: CNN Brasil


