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Quem é Jamilzinho: chefe de milícia armada ligada ao jogo do bicho e réu por morte de jovem de 20 anos

“Jamilzinho”, “Bob” ou “Guri”. Estas todas são alcunhas para uma pessoa só: Jamil Name Filho, que sentará no banco dos réus pela 1ª vez, nesta segunda-feira (17), no Fórum de Campo Grande.

Afinal, quem é este personagem principal apontado como chefe de milícia armada ligada ao jogo do bicho em Mato Grosso do Sul e réu pela morte de um jovem de 20 anos?

Jamil Name Filho

Jamilzinho tem 46 anos e antes de chegar a Campo Grande para o júri, o acusado estava preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

Jamilzinho foi preso por encomendar a morte de Paulo Roberto Teixeira Xavier, por R$ 120 mil, por vingança a uma suposta traição nos negócios. Entretanto, quem morreu na emboscada foi Matheus Xavier, de 20 anos, filho de quem seria o alvo da execução.

Da alta sociedade sul-mato-grossense, Jamilzinho sempre teve acesso fácil. Além da prisão pela morte do estudante, o réu permaneceu na cadeia por causa de uma sequência de outros crimes relacionados a milícia armada que era chefe.

Tal pai, tal filho

Jamil Name Filho e o pai Jamil Name. — Foto: Redes Sociais/Reprodução
Jamil Name Filho e o pai Jamil Name. — Foto: Redes Sociais/Reprodução

“Jamilzão”. Enquanto o filho se destaca com o nome no diminutivo, a alcunha no aumentativo era direcionada ao pai do réu: Jamil Name. Se não tivesse morrido por complicações da Covid, em um hospital no Rio Grande do Norte, Jamilzão também estaria no banco dos réus nesta segunda.

Pai e filho eram líderes de uma suposta milícia criada por uma organização criminosa ligada ao jogo do bicho para eliminar desafetos, segundo força-tarefa do Ministério Público Estadual (MPMS) e Polícia Civil.

Junto do filho, Jamil Name era peça central da operação Omertà que foi deflagrada em setembro de 2019. A suspeita é que a milícia comandado pelos dois executou pelo menos três pessoas na capital sul-mato-grossense, desde junho de 2018. Outras mortes também estão sendo investigadas.

As mortes encomendadas por Jamilzinho e Jamilzão tinham semelhanças. Os crimes foram cometidos por várias pessoas, usando mais de um veículo e com armas de grosso calibre, como fuzis.

Por muitos anos, Jamil Name foi nome influente em Mato Grosso do Sul. Além das práticas ilícitas, pai e filho tinham atuação em diversas áreas: imóveis, pecuária, título de capitalização e até o Joquéi Club de Campo Grande, que foi criado e comandado por “Jamilzão”.

Milícia armada

Arsenal foi apreendido com suspeitos ligados à milícia de Jamilzinho. — Foto: PMMS/Reprodução
Arsenal foi apreendido com suspeitos ligados à milícia de Jamilzinho. — Foto: PMMS/Reprodução

Extremamente organizada e com ligação direta ao esquema ilegal do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. Os membros da milícia armada ligada à Jamilzinho tinham funções e tarefas bem definidas, de acordo com as investigações do MPMS.

Conforme as operações investigativas, o grupo criminoso era composto por agentes treinados, muitos das forças de segurança do estado, da ativa e aposentados, que praticavam homicídios qualificados, contando com a impunidade e para demonstrar força e intimidar.

À época, a polícia e o MPMS identificaram que a milícia armada se organizava em quatro grupos distintos:

  1. Da liderança, com os líderes;
  2. O da gerência, com os gerentes operacionais;
  3. O grupo de atividade de apoio, com logística, segurança e suporte;
  4. O grupo da execução, formada pelos executores dos homicídios.

Segundo o MPMS, a milícia de Jamilzinho é responsável por matar pelo menos três pessoas em Mato Grosso do Sul.

Primeira morte

Ilson de Figueiredo, de 62 anos, que era chefe de segurança da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, foi assassinado no dia 11 de junho de 2018, na avenida Guaicurus, no Jardim Itamaracá. O homem foi perseguido e foi morto a tiros por suspeitos que estavam em outro veículo.

Segunda morte

Outra execução que teria sido cometida pela milícia, conforme a representação do MPMS à Justiça, foi a de Orlando da Silva Fernandes, em 26 de outubro de 2018. A segunda vítima foi segurança do narcotraficante Jorge Rafaat, executado em junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil.

Terceira morte

 A terceira morte cometida pela milícia, segundo o MPMS, foi a do estudante Matheus Xavier, de 20 anos, no dia 9 de abril de 2019, no bairro Jardim Bela Vista. Segundo as investigações, o estudante foi morto por engano, o alvo do grupo seria o pai da vítima.

Jogo do bicho

Jogo do bicho é considerado pela legislação como uma contravenção penal. — Foto: Reprodução

O início da milícia armada se deu a partir da participação de Jamilzinho e Jamilzão no jogo do bicho, uma contravenção penal em Mato Grosso do Sul.

Pai e filho chefiaram a organização criminosa do jogo do bicho, que criou uma milícia para matar desafetos em Mato Grosso do Sul. A milícia era ligada a exploração dos jogos de azar.

O MPMS detalhou em uma das acusações o “conhecimento geral do envolvimento da família Name com o jogo do bicho e que embora se trate de contravenção penal, tal conduta fomenta outros crimes como corrupção, extorsão, lavagem de dinheiro e até mesmo homicídios”.

Fonte: G1 MS

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