Foi preso na manhã desta quinta-feira (22) o empresário Rafael de Oliveira Azambuja, em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia separada por uma rua de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande. O empresário é o último alvo da operação Lucis deflagrada pela PF (Polícia Federal) na terça-feira (19) para cumprir 41 ordens judiciais.
Rafael foi capturado por agentes especiais do Gise (Grupo de Investigação Sensível) da SENAD (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos), em uma operação coordenada com a Polícia Federal do Brasil e o Ministério Público paraguaio. A ação ocorreu em uma residência localizada no bairro Defensores del Chaco, nas proximidades da Rua Chile com a rota PY17, em Pedro Juan Caballero.
De acordo com a SENAD, a captura foi resultado de trabalhos de inteligência e cooperação entre Brasil e Paraguai. Rafael estava com mandado em aberto por conta das investigações que começaram com a apreensão de R$ 41 milhões em cocaína em dezembro de 2024. A prisão do empresário fecha os nove mandados expedidos durante a investigação.
Agora Rafael deve ser extraditado para o Brasil, onde será entregue à Polícia Federal em Ponta Porã.
Investigação
As investigações começaram em dezembro de 2024, quando o TOR (Tático Ostensivo Rodoviário), da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, prendeu um casal que guardava uma carga de 551,9 quilos de cocaína, avaliada em R$ 41 milhões, em Ponta Porã. A partir do flagrante, a Polícia Federal aprofundou as diligências e identificou a estrutura da organização criminosa voltada ao tráfico internacional e à ocultação de capitais.
O homem de 39 anos e a mulher de 29 anos foram capturados no dia 20 de dezembro daquele ano e não tiveram os nomes divulgados. Eles estavam em um imóvel perto da linha de fronteira, onde também havia um Citroën C3 que seria usado para o transporte da droga.
Conforme divulgado na época, a equipe do TOR foi acionada por denúncia anônima e, ao chegar aos depósitos, viu o veículo. O casal estava no carro e saía dele. O condutor acelerou e fugiu para o Paraguai.
Operação
A ofensiva mirou uma organização criminosa baseada em Ponta Porã e especializada no tráfico internacional de drogas e na lavagem de dinheiro. Um dos alvos em Mato Grosso do Sul, foi o empresário Rogério Siqueira Azambuja, preso preventivamente em Ponta Porã. Há mais de duas décadas tem o nome ligado ao tráfico internacional de drogas, armas e à atuação de organizações criminosas na fronteira de Mato Grosso do Sul e outros estados.
Durante a operação, os agentes apreenderam celulares, US$ 1.642 em espécie, um caderno de anotações e uma pistola de pressão calibre .50. O mandado foi expedido no âmbito de investigação que atribui a Rogério os crimes de organização criminosa e tráfico transnacional de drogas.
A ofensiva da PF teve reflexos também em Campo Grande. Em um dos endereços-alvo da operação, no Jardim Centro-Oeste, policiais encontraram uma pistola 9 milímetros da marca Smith & Wesson escondida em um compartimento de gesso no quarto da residência. O morador, Gleison de Oliveira, foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito.
Conforme o auto de apreensão, a arma estava carregada, com 17 munições – 16 no carregador e uma na câmara pronta para uso. O depoimento dos policiais federais aponta que o imóvel era alvo de mandado expedido pela 5ª Vara Federal de Campo Grande dentro da mesma investigação. Ele foi solto após fiança.
Outro endereço alvo da ação da PF na Capital foi uma casa de alto padrão na Rua Mem de Sá, Bairro Nossa Senhora das Graças. Conforme apurou o Campo Grande News, um homem foi levado pelas equipes no imóvel, mas não há informações de quem seria o investigado.
A ação cumpriu ainda mandados em Dourados, São Paulo (SP), Guarulhos (SP), Peixoto de Azevedo (MT) e Porto Seguro (BA).
Matéria: Campo Grande News




