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Padrasto e mãe de Sophia passam a somar quase 70 anos de prisão

Após recursos judiciais, as penas do padrasto e da mãe de Sophia de Jesus Ocampo foram ampliadas e, somadas, chegam a quase 70 anos de prisão. A decisão reforça o entendimento da Justiça sobre a gravidade do caso, marcado por um histórico de violência extrema contra a criança, morta aos dois anos em Campo Grande.

Sophia morreu em 23 de janeiro de 2023. Quase um ano depois, em 5 de dezembro, os acusados de matá-la, Christian Campoçano Leitheim, de 27 anos, e Stephanie de Jesus da Silva, 26, foram considerados culpados.

Inicialmente, o réu foi condenado a 32 anos de prisão, sendo 20 anos por homicídio doloso por motivo fútil e meio cruel e mais 12 anos pelo estupro da menina. Já a mãe teve pena de 20 anos por se omitir do dever de cuidar ao ponto de permitir o assassinato.

Com a reavaliação do caso, as penas foram ampliadas. Para Christian, a condenação passou a 40 anos, 6 meses e 11 dias de reclusão, somando homicídio qualificado e estupro de vulnerável. Já Stephanie foi condenada a 26 anos, 6 meses e 11 dias de reclusão por homicídio qualificado, com agravante. Juntas, as penas chegam a quase 70 anos.

Logo depois, a defesa de Stephanie pediu novo julgamento pelo Tribunal do Júri, alegando que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos e questionando a fixação da pena. Também solicitou a redução da pena-base. O Ministério Público Estadual, por sua vez, pediu a manutenção integral da sentença, o que foi deferido.

Padrasto e mãe de Sophia, morta aos dois anos. (Foto: Juliano Almeida | Arquivo)

Segundo a denúncia, o crime ocorreu na Travessa Macuim, no Bairro Jardim Columbia, na Capital. Sophia, de apenas 2 anos, foi morta por meio cruel e por motivo torpe. As investigações apontaram que os denunciados eram extremamente agressivos com as crianças sob sua responsabilidade.

Além de Sophia, também viviam na casa outros menores, expostos a abusos constantes sob o pretexto de correção e disciplina. O ambiente era descrito como insalubre, sem condições básicas de higiene.

A criança morreu em decorrência de trauma raquimedular na coluna cervical (nuca) e hemotórax bilateral. Exame necroscópico apontou ainda que Sophia sofria agressões há algum tempo e apresentava sinais de violência sexual, incluindo ruptura cicatrizada do hímen e indícios de estupro recente. Para a acusação, a menina foi espancada pelo padrasto com a conivência da mãe.

A defesa de Stephanie sustentou que ela não tinha conhecimento da crueldade do companheiro e não presenciou agressões. Já os advogados de Christian alegaram que a lesão fatal pode ter sido agravada durante uma tentativa de socorro, hipótese não comprovada.

Paralelamente à esfera criminal, a Justiça de Mato Grosso do Sul também reconheceu falhas do poder público no caso. Em decisão assinada em 8 de outubro de 2025, o Estado e o Município de Campo Grande foram condenados a pagar R$ 430 mil e pensão mensal até 2095 ao pai biológico e ao pai afetivo da criança, diante de sucessivas denúncias de maus-tratos que não foram devidamente apuradas.

 

Matéria: Campo Grande News

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