Com a nova reorganização da facção PCC (Primeiro Comando da Capital), a cúpula agora é formada por 16 integrantes que concentram todas as decisões estratégicas da organização criminosa, segundo mapeamento atualizado da inteligência da Polícia Civil de São Paulo.
Atualmente, são 89 líderes, responsáveis por diferentes funções dentro das 14 sintonias — 52 deles estão presos e 36 em liberdade, como aponta o relatório da Polícia Civil. O relatório traz que o empresário Mohamed Hussein Mourad, o ‘Primo’, irmão de Armando Hussein Ali Mourad, é um dos principais acusados de fraudes bilionárias no mercado de combustíveis.
Ele é investigado pela Operação Carbono Oculto. Primo está foragido e nega ter ligação com a facção. Uma das empresas investigadas, a Maximus, tinha o mesmo endereço da Safra Distribuidora de Petróleo S.A., em Iguatemi, que tinha sete distribuidoras.
Em Iguatemi, o presidente é indicado como Armando Hussein Ali Mourad, irmão de Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’, apontado como o ‘cabeça’ de todo o esquema, sendo um dos operadores ao lado de Roberto Augusto Leme da Silva, o ‘Beto Louco’.
Novo organograma
Sintonia Final, Sintonia Final do Sistema, Sintonia Restrita, Sintonia Final de Rua e Sintonia Final dos Estados e Países; Sintonia do Progresso, Setor da Padaria, Sintonia Interna, da Internet e Redes Sociais; Setor do Raio-X, Sintonia Final da Baixada, Sintonia dos Gravatas, Quadro dos 14 e FM-BX — este é o novo quadro da facção criminosa, que ainda tem Marcos Herbas Camacho, o Marcola, como líder, segundo o relatório da Polícia Civil de São Paulo.
Marcola está preso desde 1999 — e no sistema federal de segurança máxima desde 2019. Ele é apontado como líder máximo do PCC a partir de 2002.
Novo mapa da facção
1) Associados: executivos do crime que não são “batizados”, mas tocam negócios para a facção, especialmente finanças e lavagem. Entre eles, estão: Mohamad Hussein Mourad, o Primo, foragido da Justiça por corrupção envolvendo postos de combustíveis; e Mauricio Hernandez Norambuena, guerrilheiro preso no Chile e um dos sequestradores do publicitário Washington Olivetto, em 2001.
2) Setor do Raio-X: atua como uma espécie de compliance, corregedoria e auditoria, monitora conduta, movimentações e cumprimento de ordens. Está sob o comando do preso Gratuliano de Souza Lira, o Quadrado.
3) Sintonia da Internet e Redes Sociais: coordena comunicações digitais, padroniza linguagem ideológica, monitora publicações e dá suporte técnico. A ideia é garantir segurança e discrição nas trocas de mensagens entre membros por aplicativos, redes sociais e e-mails criptografados. Comandada por André Luiz de Souza, o Andrezinho, e Eduardo Fernandes Dias, o Destino, ambos presos.
4) Decretados: ex-líderes expulsos, atualmente sob ameaça de morte da própria facção. O relatório cita, entre outros, os presos Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, que foi número dois do PCC e rompeu com Marcola; e Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, acusado de participar da morte do prefeito de Campinas, Toninho do PT em 2001.

Carbono Oculto
Conforme o relatório da época, “há fortes laços entre o grupo de Mohamad e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), que se beneficiam do ecossistema de lavagem de capitais facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis”.
Mohamad Hussein Mourad é o epicentro das operações, com seus familiares e associados desempenhando papéis cruciais, conforme aponta o relatório. “Sua rede de Mohamad é extensa e inclui familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados”, diz o documento.
O documento ainda traz a divisão de tarefas entre seus membros. Ricardo Romano é identificado como uma figura-chave em um dos grupos que compõem a organização criminosa liderada por Mohamad Hussein Mourad. Ele é explicitamente vinculado à atividade de lavagem de dinheiro e possui conexões com o Primeiro Comando da Capital.
Já Sergio Luiz Freitas da Silva é identificado por atuar de forma multifacetada como advogado, gestor e administrador de diversas empresas e fundos de investimento, desempenhando um papel relevante na blindagem patrimonial e lavagem de capitais para o grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad.
Himad Abdallah Mourad, por sua vez, é um dos principais expoentes do grupo criminoso liderado por Mohamad Hussein Mourad, mostrando-se fundamental para a blindagem patrimonial e a lavagem de capitais da organização, utilizando uma complexa rede de empresas e fundos de investimento.
Produtor campo-grandense é alvo da operação
O campo-grandense Ivan Carlos Miyazato, produtor musical, foi alvo da operação contra o esquema bilionário de lavagem de dinheiro pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), que usava postos de combustíveis.
Miyazato é conhecido no meio musical por ter trabalhado com artistas de projeção nacional, como Gusttavo Lima, Luan Santana e Zé Neto e Cristiano.
Conforme as investigações, ele teria envolvimento com Jonas Silva Corrêa, o ‘Gordão’, apontado como um nome grande dentro do PCC.
Tudo consta em relatórios do MPSP que apontam o envolvimento da facção criminosa na adulteração de combustíveis, fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e manipulação de preços. O prejuízo estimado pelas autoridades que esses crimes causaram é de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais.
As investigações mostraram que eles são sócios na empresa Miyazato Music Produções S/A e Hiperhit Produções S/A. A reportagem confirmou que Jonas aparece como diretor, enquanto Ivan consta como presidente.
Em nota oficial, Miyazato afirma que já tinha conhecimento das investigações, mas afirmou não haver provas da ligação do produtor com a facção. A defesa do produtor diz ainda que as receitas da empresa “provêm da prestação de serviços lícitos e comprovadamente realizados”.
Fonte: Jornal Midiamax


