O policial penal Antonio Fernando Martins da Silva, comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE), foi dispensado do cargo nesta sexta-feira (20), após ser apontado como suspeito de usar viaturas para traficar drogas.
Antonio foi alvo da Operação Rota Blindada, deflagrada na quinta-feira (19) pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) para desarticular uma organização criminosa suspeita de tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul.
Segundo a investigação, o grupo utilizava uma estratégia conhecida no meio criminoso como “frete seguro” para transportar entorpecentes entre os municípios de Corumbá e Campo Grande.
Policial garantia frete seguro das drogas
Conforme a Denar, o servidor público teria usado a própria função e uma viatura oficial caracterizada para fazer o transporte da droga.
A prática consistia em utilizar o veículo institucional para reduzir o risco de fiscalização nas estradas e aumentar as chances de sucesso no deslocamento da carga ilícita. De acordo com os investigadores, a estrutura do Estado era usada para dar aparência de legalidade ao transporte e dificultar abordagens policiais.
Na manhã de quinta-feira, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Corumbá.
A operação contou com apoio do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), da 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá e da Delegacia de Polícia de Ladário.
Acompanhamento da Corregedoria
As medidas judiciais envolvendo o policial penal foram acompanhadas pela Corregedoria da Polícia Penal, que atuou para garantir a regularidade e a transparência dos procedimentos.
A investigação foi coordenada pela Denar, com apoio da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Gisp), que colaborou com o compartilhamento de informações estratégicas.
Em nota, as forças de segurança afirmaram que a operação é mais uma etapa das ações permanentes de combate ao tráfico de drogas no estado e reforça o compromisso das instituições em responsabilizar todos os envolvidos, inclusive agentes públicos que utilizem o cargo para práticas ilegais.
Comando de Operações Penitenciárias
Criado oficialmente em 27 de dezembro de 2017 dentro da estrutura da Agepen, o Comando de Operações Penitenciárias (COPE) é pautado nos pilares da disciplina e da hierarquia. A unidade é subdividida em Grupo de Intervenção Tática (GIT) e Grupo Tático de Escoltas (GTE). Entre as principais atribuições estão a retomada da ordem e da disciplina em ambientes considerados hostis, a realização de procedimentos de segurança em unidades prisionais e escoltas de presos classificadas como de alto risco.
Para integrar o COPE, os policiais penais passam por curso de elevado desgaste físico e psicológico, preparado para simular situações reais de crise. Os integrantes recebem treinamento especializado em Atendimento Pré-Hospitalar Tático, Rapel Tático, Tecnologias Não Letais, Combate Prisional em Ambientes Fechados, Combate Corpo a Corpo, Imobilização Tática, Escolta de Presos e Intervenção Prisional, entre outras técnicas operacionais.
O que diz a Agepen
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que a conduta investigada configura desvio individual, absolutamente incompatível com os princípios que regem a Polícia Penal e não reflete a postura institucional.
A Corregedoria-Geral da Agepen instaurou procedimento administrativo para apuração rigorosa dos fatos, com a adoção de todas as medidas administrativas e legais cabíveis.O processo seguirá os trâmites legais, assegurando o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.
A instituição mantém política permanente e implacável de combate a desvios de conduta, com fiscalização contínua, corregedoria atuante e mecanismos internos de controle. Eventuais irregularidades são tratadas com absoluto rigor e transparência.
A Agepen atua pautada na integridade institucional, legalidade e confiança da sociedade, não compactuando com qualquer prática que comprometa a missão da Polícia Penal.
A instituição também trabalha de forma integrada com as demais forças de segurança, inclusive por meio de seu serviço de inteligência, mantendo cooperação permanente no enfrentamento ao crime e no combate a qualquer prática ilícita.


